Você tem fome ou vontade de comer?

11/08/2020 15h25
Categoria: Saúde e Qualidade Alimentar

Gláucia Batista

Para se alimentar bastar estar com fome, certo? Nem sempre! Muitas vezes já estamos saciados e continuamos com a vontade de comer, e por que isso acontece? Porque também nos alimentamos por prazer, por falta de algum nutriente que nosso corpo precisa, por recompensa ou até por hábitos gerados, indo além de atender as necessidades básicas do nosso corpo, que necessita de alimentos para continuar vivendo, e é extremamente importante que saibamos reconhecer todas as etapas que o nosso corpo passa no dia para mantermos uma relação boa com a comida.

O apetite estava ligado somente com a necessidade de comer, o impulso, independente dos nutrientes, como os animais fazem, e depois de anos de estudos, chegou-se à conclusão de que temos a necessidade não apenas por nos alimentar, mas de ingerir determinados de tipos de comidas por diferentes motivos, dividindo assim em fome emocional, fome comportamental e fome física.

A diferença se dá quando confundimos os tipos de apetites e não identificamos o momento em que nosso corpo já está saciado. Temos que estar atento aos sabores, cores, texturas e o aroma dos alimentos, além de buscar um local calmo, tranquilo e com foco na hora de se alimentar.

A fome emocional é quando associamos a comida como recompensa por algo que falta em nossa vida ou por ter conseguido algo que julgamos extremamente importante, ligando-se aos fatores psicológicos, camuflando os sentimentos. Por exemplo: passar em um concurso ou o término de um relacionamento, irá despertar a necessidade de comer demais ou de menos, gerando esse desequilíbrio. Como equilibrar essa fome? Buscar as causas das pressões do dia a dia, mudar os hábitos de vida encontrando novos prazeres e encher a geladeira de alimentos mais saudáveis, são ótimas alternativas.

Já a fome comportamental está ligada aos hábitos que adquirimos ao longo da vida, como horários determinados ou o tédio, que nos faz comer mesmo sem ter fome, seja para cumprir a rotina ou pela falta dela, sendo um processo automático que só irá nos despertar quando estivermos saciados a ponto de nos sentir “pesados” naquele momento. Pequenas mudanças no dia fazem grande diferença para driblar essa fome.

E por fim a fome física, que é de fato nosso combustível para o corpo, quando estamos com o estômago realmente vazio, ele nos dá a resposta de que necessitamos comer para suprir a falta energética para continuar em funcionamento, esta fome pode ser dizer que é a fome real.

Antes de comer tente fazer a pergunta ao seu corpo: é fome ou vontade de comer? Seu corpo sabe a resposta corretamente, e assim busque relaxar para que não seja descontado no prato qualquer sentimento que interfira na hora, seja para aumento do apetite ou para perda do apetite, sentir o máximo de prazer no alimento que escolheu naquele momento, comer pausadamente para estimular a saciedade, usar roupas que te façam sentir bem, pois logo após se alimentar é normal nos sentirmos um pouco inchados, que seria o popularmente conhecido “estômago alto”, fazendo com o que a vontade de trocar de roupa na mesma hora aumente, ou então deixaremos de nos alimentar para que a roupa não fique fora do padrão que desejamos, e o mais importante, fazer as pazes com o seu prato, literalmente.

Estar bem com você psicologicamente e fisicamente é um passo para muitos difícil, mas não impossível, quando aprendemos a nos observar tudo fica mais fácil, a primeira ajuda para buscar esse equilíbrio tem que vir de nós, nos aceitar, acolher como somos e assim dar continuidade a esta busca entre o prazer e o equilíbrio. Não se esqueça: mente sã, corpo são.

Gláucia Batista - Nutricionista especialista em Vigilância Sanitária e Controle e Qualidade de Alimentos - CRN 3 - 29670

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