Rotulagem nutricional e sua importância

29/09/2020 16h18
Categoria: Saúde e Qualidade Alimentar

Gláucia Batista

O rótulo nutricional é a comunicação entre o produto e cliente, especificando todos os componentes e nutrientes presentes em cada produto comercializado e embalado na ausência do consumidor, seja natural ou não. Essas descrições obrigatórias, são estabelecidas pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) desde 1960, mas de lá pra cá, muita coisa mudou.

O básico de informações para os rótulos era os ingredientes que devem aparecer na ordem decrescente, ou seja, o que está em maior quantidade para o que está em menor quantidade, a origem, para que o consumidor saiba quem é o fabricante e onde ele foi fabricado, prazo de validade, que pode conter somente o mês e o ano, caso o produto tenha validade superior a três meses, conteúdo líquido expressado em quilo ou litro, o lote, que é o número de controle de produção, para caso haja algum problema, o produto poderá ser recolhido ou analisado pelo lote que pertence e no caso de produtos com temperaturas especiais devem estar indicadas em máximo e mínimo.

Mas novas regras foram surgindo a cada ano, sendo necessárias para garantir a qualidade e saúde do consumidor, além de fornecer a população dados que ajudem na hora da escolha do produto, e continuará as adaptações até que seja necessário e torne cada vez mais claro para o consumidor o que ele está comprando.

Como em 2000 que acrescentou o sódio, ferro, cálcio, fibras, colesterol, gorduras saturadas e trans no rótulo, e logo na sequência entre 2002 a 2005 adaptações como a frase “contém glúten”, aparição dos valores energéticos, proteínas, carboidratos, aparição das medidas caseiras e a redução diária de calorias de 2500kcal para 2000kcal se tornaram também obrigatórias na indústria alimentícia em todo território nacional. Essa nova regra permite que você faça escolha mais saudáveis para você e sua família.

Em 2015, dez ano depois, nova normativa passa a exigir a presença dos principais alimentos e traços que causam alergias, a iniciativa foi aprovada após uma grande mobilização de pais e mães que enfrentavam dificuldades em distinguir quais alimentos seriam permitidos para seus filhos, sendo fundamental para exercer o livre direito a escolha além de garantir à saúde e alimentação adequada.

Essas informações estão descritas em três formas, como “alérgicos contém... (nome do alimento causador de alergia)”, “alérgicos, contém derivados de... (nome do alimento causador de alergia)” ou “alérgicos, pode conter... (nome do alimento causador de alergia).

E recentemente em 03/09/2020 a ANVISA decretou a inclusão de “NOVA FÓRMULA” ou expressão equivalente quando houver alteração de composição. A frase deve estar bastante visível ao consumidor, e com certeza as regras não irão parar por ai, o objetivo é sempre revisar, atualizar e adaptar, trazendo cada vez mais clareza e precisão.

E o que não pode conter no rótulo? Apresentação de palavras que possam induzir ao erro, propriedades que não possuem, comparação de alimentos como por exemplo uma ilustração de uma determinada quantia de chocolate sendo comparada a determinada quantia de leite, uma vez que esses dois alimentos não são comparáveis, ou frases como “óleo sem colesterol”, já que todo óleo vegetal não apresenta em sua composição o colesterol.

Por isso a rotulagem nutricional é tão importante para a população, ler o rótulo é um hábito que deve ser adquirido.

Gláucia Batista - Nutricionista especialista em Vigilância Sanitária e Controle e Qualidade de Alimentos - CRN 3 - 29670

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