O futuro dos restaurantes Pós-pandemia

01/09/2020 09h34
Categoria: Saúde e Qualidade Alimentar

Gláucia Batista

Aos poucos a rotina vai voltando ou tentando voltar ao normal, as restrições dos toques de recolher vão diminuindo e abre novamente espaço para os nossos programas preferidos, pois há muito mais afeto quando se alimenta ao redor da mesa em grupo do que sozinho em casa. E isso podemos dizer que é um ato de amor e com certeza de coragem das pessoas que buscam seus restaurantes preferidos para matar a saudade daquele cantinho especial e daquela culinária inesquecível em meio a tantos desafios durante os últimos tempos.

Estimasse que 15% a 20% dos estabelecimentos do ramo alimentício fecharam ou fecharão por não aguentarem a crise econômica, e quem sobreviverá sairá mais forte da pandemia, e o impacto para quem driblar essa fase será um cenário de muitas mudanças e adaptações que serão cobradas pelas autoridades e pela população.

O cumprimento do horário de funcionamento e as medidas de biossegurança, como espaçamento das mesas, redução da capacidade de lotação, restrição para o atendimento de clientes em pé, novos fluxos de circulação entre funcionários, medidas mais rígidas com a higiene, cardápios plastificados e higienizados a cada troca de clientes, talheres embalados individualmente e o uso de máscaras, que gera um certo incomodo para todos, mas dentro de uma cozinha com certa é mais difícil já é um fato que todos deverão se acostumar com a nova realidade, pois a cobrança será de ambos, tanto dos proprietários para com os clientes como dos clientes para com o estabelecimento.

Ainda bem que isso tudo é possível, somos seres adaptáveis, e com boa comida à mesa não será nenhum sacrifício seguir as normas, para termos a segurança e a sensação de bem estar que procuramos nas experiências gastronômicas, indo além da diversão, sendo um hábito cultural.

Outra forma de se recriar nessa crise é o delivery, as compras pela internet aumentaram demasiadamente, o que já era uma realidade, mas opcional, agora passou a ser emergencial, já que as portas foram fechadas e os estabelecimentos tiveram que se adaptar a esta realidade para ver seu negócio funcionando, fazendo com que esse mecanismo de busca seja cada vez mais comum entre as pessoas.

Mesmo depois da reabertura dos bares e restaurantes, haverá pessoas que não se sentirão seguras, optando pelo pedido e conforto no seu lar. E para economizar com as super taxas das comissões elevadas pelos aplicativos de entregas, um aplicativo e uma equipe própria ajudará consideravelmente nestes custos, e nós quanto consumidores vale a pena lembrarmos da importância de estimular os pequenos empreendimentos da vizinhança, que com certeza estão com mais dificuldades de passar essa crise.

Ainda que haja muita praticidade no pedido delivery, as pessoas necessitam dessa troca, e o chamado “novo normal” acabará por si só nos lembrando de que precisamos e queremos o “antigo normal”, fazendo com que as idas aos restaurantes se tornem novamente comum. Mas essa busca será para lugares sem extravagancias e extremamente luxuosos, isso hoje se torna supérfluo, aumentará a consciência do desperdício, das questões ambientais como excesso de uso de plásticos e a preferência para lugares funcionais.

Uma coisa é bem certa, é o momento das empresas se recriarem, se reforçarem e renovarem a conexão com os consumidores. Sairemos dessa pandemia com novos olhares para o mundo e para nossa alimentação, com outras percepções acerca dos comportamentos e das nossas necessidades.

Gláucia Batista - Nutricionista especialista em Vigilância Sanitária e Controle e Qualidade de Alimentos - CRN 3 - 29670

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