Intolerância alimentar e alergia alimentar: Qual a diferença?

08/09/2020 19h08
Categoria: Saúde e Qualidade Alimentar

Gláucia Batista

Este não é um assunto novo, mas ganhou força nos últimos tempos devido ao grande aumento de pessoas que contraíram alguma alergia e a procura por alimentos não alergênicos. Com a indústria alimentícia aquecida por esta busca, o interesse e a preocupação ficaram mais evidentes, mas existe uma diferença entre intolerância e alergia que muitas pessoas confundem porque não são o mesmo problema.

A principal diferença entre as duas situações é o tipo de resposta do organismo quando entra em contato com determinado alimento, apesar de seus sintomas se confundirem, a sua origem é diferente, por isso é tão importante conhecer as diferenças entre uma e outra.

A intolerância alimentar causa um desconforto intestinal, onde existe uma carência de uma enzima que processaria um nutriente específico, como no caso da lactose, que quando não digerida atrai água ao intestino, provocando diarreia, e seus efeitos podem demorar horas para se manifestar, ficando restritos ao aparelho digestivo e não ao sistema imunológico.

Além de ser muito mais frequente, afetando qualquer pessoa sem históricos familiares, podendo aparecer em qualquer etapa da vida. O que não impede o consumo do alimento, desde que seja moderado, e consumido enzimas que não são produzidas pelo organismo.

A manifestação dessa intolerância causa dores abdominais, gases e diarreia e são geralmente causadas por glúten e lactose, que está presente em alguns cereais como pães, torradas, biscoitos, cerveja, salgadinhos, cachorro quente, ketchup, queijos, salsichas, temperos industrializados, massas, bolos, leites e molhos. Já a alergia alimentar, é um distúrbio do sistema imunológico que reage a certos tipos de componentes presente em um determinado alimento logo após a sua ingestão, afetando cerca de 8% das crianças até 3 anos e 3% dos adultos, que tem ou não históricos familiares.

Isso acontece porque o sistema imunológico não reconhece a proteína do alimento e começa a combate-la como uma ameaça, mas por se tratar de uma batalha que não deveria existir, quem se prejudica é o nosso corpo, podendo levar a sintomas graves como coceiras na pele, vermelhidão, falta de ar, inchaço nos lábios, tosse, chiado na respiração, pressão baixa, diarreia, vomito e até choque anafilático.

Mesmo que em um primeiro contato com o alimento a resposta seja leve, não impede que no próximo contato seja mais grave. O mais preocupante desta alergia é sem dúvida a anafilaxia, que pode levar a morte, justamente por ser imprevisível e rara, se fazendo importantes os cuidados e o acompanhamento médico.

Os cuidados vão de introduzir os alimentos alérgicos aos poucos, ler os rótulos, separação de utensílios, separação da bucha para higienização, já que até na bucha de lavar louças podem ficar resquício imperceptíveis dos alimentos, até cuidados mais intensos como uso de medicamentos contínuos, mas sempre orientados pelos especialistas.

Existem variados tipos de alimentos que causam a alergia, mas os mais comuns são ovos, leite e derivados, trigo, frutos do mar, frutas secas, amendoim e castanhas.

A boa notícia é que existem hoje muitas opções alimentares, além de tratamentos medicamentosos, e nem sempre as alergias acompanham a fase adulta, ficando mais presente na infância e aos poucos a vida da criança volta a rotina normal, pois o paciente adquire tolerância aos alimentos, podendo ser consumidos moderadamente sem apresentação de sintomas, mas fique atento ao primeiro sintoma caso apareça ao consumir um alimento nocivo para que não ocorra novos problemas.

Gláucia Batista - Nutricionista especialista em Vigilância Sanitária e Controle e Qualidade de Alimentos - CRN 3 - 29670

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