Alimentos hiperpalatáveis – você conhece?

05/08/2020 14h41
Categoria: Saúde e Qualidade Alimentar

Gláucia Batista

Existem alguns alimentos que parecem quase impossíveis parar de comer, sabe por quê? Porque são hiperpalatáveis, sim esta é a definição para estas guloseimas, que são irresistíveis e que estão em grande parte nos alimentos ultra processados.

Por ter em suas combinações excessos de gordura, açúcares e sal que estão diretamente ligados ao sabor, deixando-os muito mais saborosos e funcionando como conservantes, são um perigo a saúde.

Por isso a briga é grande quando a indústria dos alimentos saudáveis tenta fazer com o que o alimento que não contém essa carga excessiva de componentes seja tão atraente quanto os palatáveis, que também são conhecidos pelos nomes de fast-food e doces por exemplo.

Sabemos que não nos alimentamos apenas para manter o corpo em funcionamento, a busca por comida vai além, a partir de quando procuramos a comida por sentimentos, prazeres e claro por recompensas, tendo efeito em vários mecanismos psicológicos e consequentemente fisiológicos.

Quando estes alimentos atingem nosso circuito de recompensa, a serotonina e a dopamina são liberadas, criando uma experiência extremamente gratificante, gerando sensações de paladar que não existem na natureza, o que torna difícil parar de consumi-los, mesmo quando já estamos satisfeitos, podendo levar a dependência e ao consumo exagerado causando quadros de compulsão.

Os hiperpalatáveis foram classificados como os alimentos que contém mais de 25% de sua energia proveniente de gorduras, 0,3% de sódio, como o bacon, batata frita e pizzas, mais de 20% de sua energia de açúcares e gorduras como sorvetes e brownie, ou mais de 40% de sua energia de carboidratos como os pães e biscoitos.

Mesmo que o alimento apresente em sua composição redução de açúcar ou gorduras, como o caso dos dietéticos ou light, podem levar o aumento do consumo se tornando hiperpalatáveis, isso porque quando se retira um determinando ingrediente é preciso ser compensado com outro, que acaba tendo o mesmo efeito, além disso tudo, para se manter a textura e sabor é muito provável que se adicione aditivos químicos alimentares.

Para reduzir o consumo comece com a diminuição de alimentos de alto índice glicêmico como a farinha branca, aumente a ingestão de fibras, trace estratégias de controle, buscando alternativas para quando bater a “necessidade” de um chocolate por exemplo não se torne viciante e claro procure ajuda de um profissional, mudanças de hábitos vem com o tempo e respeitando sempre seu momento.

Comer é prazeroso e não pode se tornar um martírio, nossa gastronomia é riquíssima em pratos que agregam muito sabor. O grande segredo é estar em paz com a comida e com seu corpo, longe de dietas extremistas com certeza você irá encontrar o equilíbrio.

Gláucia Batista - Nutricionista especialista em Vigilância Sanitária e Controle e Qualidade de Alimentos - CRN 3 - 29670

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