Alimentação infantil em tempos de COVID-19

23/06/2020 08h29
Categoria: Saúde e Qualidade Alimentar

Gláucia Batista

Cuidados com a alimentação infantil neste período de quarentena é tão importante quanto quaisquer outras medidas de proteção, afinal, são na infância que se inicia a formação cognitiva como capacidade de aprender e lembrar, passando por descobertas de sabores, gostos, alterações no apetite e o crescimento físico.

Todos estes processos estão ligados diretamente com a alimentação, e o que a criança consome será reflexo de seus desenvolvimentos tanto positivos como negativos. Por isso a consciência diante de informações precisas e confiáveis permitem que as pessoas adotem comportamentos positivos.

Com as escolas e creches fechadas, passeios pelo parque e caminhadas suspensos pela pandemia há quase 3 meses, as crianças se viram obrigadas a ficarem em casa sob cuidados de pais e responsáveis criando um desafio e até uma nova rotina gastando menos energia.

Na escola é ofertado no mínimo uma refeição ao dia e seu cardápio seja de escola pública ou particular, é elaborado com todos os critérios exigidos pelo Conselho Federal de Nutricionistas e pela OMS (Organização Mundial da Saúde) garantindo o consumo dos nutrientes necessário para cada faixa etária, prevenindo a desnutrição, a obesidade e inclusive fortalecendo o sistema imunológico.

Sabemos que ainda não existe cura para o Coronavírus, mas a alimentação correta é o caminho ideal para que caso haja algum contágio com a doença, a criança esteja mais forte e auxilie no combate a esta infecção e a qualquer outra doença.

Com as refeições sendo feitas em casa em todos os períodos do dia, o ambiente doméstico irá influenciar cada vez mais o que a criança come, assim quanto maior o conhecimento e a familiaridade com a diversidade dos alimentos, maior será o interesse e o consequentemente o consumo. Acaba sendo um ciclo muito positivo, já que a criança come o que lhe é ofertado seguindo o exemplo dos adultos.

É normal que no início da pandemia estivéssemos com muitas dúvidas e com um sentimento de férias antecipadas levando a práticas errôneas na alimentação como o consumo de industrializados, salgadinhos, bolachas, chocolates, massas e frituras em excesso, e o abandono da rotina. Mas este período inicial passou, não sabemos se ficaremos mais um mês, ou até quem sabe o fim do ano letivo nesta situação de isolamento.

O ideal é que uma rotina seja criada mesmo que iniciando agora para evitar que o retorno as aulas e atividades não sejam tão sacrificantes tanto para as crianças quanto para os professores e familiares. Quanto mais tardar a retomada da “vida normal”, mais difícil de adotar uma alimentação saudável novamente.

Horários redefinidos para cada refeição e se possível ao menos uma refeição com a família sentada a mesa sem uso de eletrônicos, lembrando que criança com fome aumenta as chances de comer guloseimas, porções dos alimentos divididas em pratos e não ofertadas direto dos pacotes para evitar o excesso, deixar sempre um lanchinho saudável e uma fruta prontos, e claro muita água, são algumas dicas que auxiliam a volta da rotina saudável.

Nada de exageros, basta ter equilíbrio, para que o consumo de alimentos mais calóricos seja uma exceção e não a regra! Mas não se esqueça, cuide da alimentação das crianças levando em consideração a idade, por exemplo, crianças até 6 meses o aleitamento materno é o alimento exclusivo oferecido, nem mesmo água. Busque sempre ajuda quando necessário com um especialista.

Gláucia Batista - Nutricionista especialista em Vigilância Sanitária e Controle e Qualidade de Alimentos - CRN 3 - 29670

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