A Pandemia da Banana – A fruta mais popular do mundo ameaçada de extinção

07/07/2020 08h04
Categoria: Saúde e Qualidade Alimentar

Gláucia Batista

Originaria do sudeste da Ásia a banana é uma fruta de muito sucesso por suas propriedades nutritivas serem muitas, como a promoção da saciedade, auxílio no funcionamento do intestino, diminuição de câimbras, auxílio na formação da estrutura óssea, estimulação da sensação de bem-estar e muito mais.

Podemos assim destacar dentre tantos minerais e vitaminas as fibras alimentares, potássio, vitamina A e o baixo valor energético, mas seus valores nutricionais podem variar de acordo com a porção consumida e o tipo de banana, já que a queridinha do mundo se altera por diferenças no manejo e clima. Além de todos os benefícios é um alimento básico para milhões de pessoas.

Essa fruta deliciosa e extremamente saudável que acompanha os seres humanos há décadas, foi uma das primeiras a se tornarem populares nas casas, e hoje é disputadíssima em exportações pelo mundo afora. Seu consumo maior é em forma in natura, e existem diversas combinações na culinária para seu uso em preparações doces ou salgadas.

Em 2019 a Embrapa fez um estudo onde levantou os dados do consumo per capta anual, chegando à média de 25kg/ano por pessoa. Por toda essa popularidade a fruta ganhou um valor comercial muito considerável mundialmente.

O que causou novo alvoroço para muitos agricultores e para os apaixonados por esta fruta, foi a notícia de que o fungo chamado Fusarium Oxysporum que já existe há décadas está se espalhando mais rápido do que se imaginava pelo mundo nos últimos 30 anos, passando da Ásia para Austrália, Oriente Médio, África e América Latina.

Igualmente a COVID-19, o Mal-do-Panamá, como é popularmente conhecida age de forma silenciosa, sem sintomas iniciais e sem cura para a lavoura. A planta doente pode permanecer saudável por até um ano forçando mudanças no seu cultivo, alteração em seu sabor e formas de abastecimento no mercado.

Este fungo pode sobreviver no solo mais de 20 anos e seu contágio se dá quando uma raiz de planta sadia entra em contato com a raiz de uma planta doente pelo uso de ferramentas contaminadas, pelo solo, pela irrigação e até mesmo pelo homem e animais infectados. Quando acomete a lavoura, provoca perdas de 100% do plantio.

Poderia ser apenas um alarme falso, ou só mais uma doença que afeta plantas, mas é a realidade triste que muitas lavouras estão passando, temendo que a fruta fique escassa. Mesmo que na primeira incidência da doença existia apenas um tipo de banana, o que facilitava a catástrofe da perda das lavouras, ainda hoje com um leque de variedades da fruta, que veio através da combinação de espécies, a contaminação não foi poupada.

A criação de outras espécies de banana fez com que aumentassem o número de pesquisadores nas lavouras, o que pode ter contribuído para o fungo se alojar em solas de sapatos, roupas, e outros objetos e de uma terra contaminada, o pesquisador levava para a outra sem ao menos perceber.

A solução ainda não chegou, e talvez esteja longe, porém o alívio disso tudo é saber que existem muitos cientistas trabalhando duro para que o combate a este fungo termine o quanto antes, ou ao menos que a batalha ganhe uma trégua. Nos resta torcer para que não tenhamos que consumir uma fruta genérica, com sabor e valores nutricionais diminuídos, de preços elevados e além de tudo que sua produção não prejudique o meio ambiente. Ficar sem a clássica das frutas está fora de cogitação por enquanto em nossos planos.

Gláucia Batista - Nutricionista especialista em Vigilância Sanitária e Controle e Qualidade de Alimentos - CRN 3 - 29670

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